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Bragança Paulista - Quarta-Feira, 08 de Setembro de 2010
Notícias - Editorial
17/04/2010
Editorial - Quem sabe faz a hora!
Da redação
 
A interdição do trecho de aproximadamente 8 km na Rodovia Fernão Dias (BR-381), administrada pela OHL Brasil – “Auto Pista Fernão Dias”, em decorrência de obra de recuperação nas proximidades da vizinha cidade de Mairiporã, sentido São Paulo - Belo Horizonte, tem causado não apenas transtornos aos usuários, mas afeta seriamente a economia de algumas cidades da Região Bragantina e do extremo sul de Minas Gerais.

Notícias dão conta da expressiva queda de turistas em Atibaia, Bragança Paulista, Joanópolis e outras cidades que integram uma região, antes bem frequentada. Tudo em razão da dificuldade ou do receio de transitar por caminhos perigosos ofertados como alternativas para acessar essas cidades.

O comércio da região já registra prejuízo, notadamente nos setores de hotelaria, gastronomia e afins, sem expectativa de uma solução capaz de recompor parte dessa perda que repercute na sua economia .

É o caso de se indagar: quem pode mudar tamanho descaso que maltrata esta parte do território paulista e também do contíguo extremo sul mineiro? Aí, surge a questão política, que nunca deve ser ignorada.

O primeiro nome que surge é o do deputado estadual Edmir Chedid (DEM), reeleito em 2006 com 78.583 votos, dos quais, apenas para reforço de raciocínio, Bragança Paulista lhe conferiu nada menos que 31.288 votos, ou seja, 42,67% dos votos válidos, onde 675 candidatos ao mesmo cargo também foram votados.

Cabe sim ao deputado estadual Edmir Chedid uma enorme parcela de contribuição ainda não constatada, a fim de reduzir o drama que sufoca e atrapalha a região de Bragança Paulista.

Ele é, sem dúvidas, representante não só de nossa cidade, mas de toda a região que padece economicamente nessa circunstância que não se vislumbra qualquer solução concreta. Sendo hoje presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deveria ter prestígio suficiente para brigar pela Rodovia Fernão Dias, que é de jurisdição do Governo Federal.

É público que o deputado se reuniu no início do mês com Mário Mandolfo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Omar C. Ribeiro Jr, da OHL, concessionária prestadora de serviços na Rodovia Fernão Dias e recebeu deles a justificativa que a correção dos danos causados pelo incidente com o viaduto é tratada como prioridade, por isso, outras obras, como as reformas dos trevos que ficam dentro do Município, estão preteridas.

Contudo, até mesmo cidadãos sem comprovadas experiências nesse problema que ocorre na BR-381, comentam que em outras importantes estradas que cortam o território paulista, soluções foram propostas e acolhidas sem imposição de prejuízo às cidades e riscos aos usuários, por exemplo, liberar no trecho que se encontra em obras, a pista dupla no sentido São Paulo – Belo Horizonte e transformá-la, nesse pequeno pedaço, em uma pista de duas mãos, uma para quem sai de São Paulo e outra para quem volta, como foi por mais de 50 anos. E, também, colocar efetivo policial que impeça o tráfego de caminhões de grande porte neste pequeno trajeto de oito quilômetros, conforme foi amplamente divulgado que seria por ocasião do incidente, mas que não está sendo cumprido.

Compete ao deputado estadual Edmir Chedid defender com convicção e obrigação, a sugestão acima, que pode até ser a oportunidade de contornar a grave situação instalada com a interdição.

A iniciativa é que importa, mesmo porque, a proposta certamente envolverá estudos para os caminhões e outros tipos de veículos pesados que provavelmente não possam transitar nesse trecho. No entanto, sem que o deputado estadual Edmir Chedid, juntamente com os prefeitos das cidades que pagam pelos transtornos e prejuízos sofridos, assumam o compromisso de defender os interesses da região, nada será feito e a população, mais uma vez será vitimada.

Por quê? Fica a pergunta sem resposta, porém, do questionamento, algumas conclusões são procedentes, tais como, ausência de interesse ou coragem no encaminhamento de um pedido que, por hipótese, se negado, afetaria a capacidade de liderança e eventualmente comprometesse a reeleição.

E os prefeitos, que não acionam outras autoridades ou os tão aclamados “aliados políticos”, ficam inertes em seus tronos no aguardo de uma providência divina?

E os vereadores que cantam aos ventos que suas vinculações políticas trazem resultados positivos para o nosso município ou para a região, também não se mobilizam e igualmente manifestam a mesma falta de interesse?

É um imbróglio ou jogo de “empurrar com a barriga” o grave problema que deve se alongar ainda por alguns meses?

Até lá, “vamos caminhando e cantando” ou acreditar que “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, como está eternizada na canção-poesia de Geraldo Vandré?
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