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Bragança Paulista -
Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010 |
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| Notícias
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Editorial |
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20/03/2010 |
| Editorial - Cheiro de traição |
| Da redação |
Ingenuidade imaginar que o coaxar desafinado seja capaz de mudar os conceitos da lealdade e até da obrigação, principalmente quando assumidos através de uma composição política que estabelece um objetivo justo.
A Administração Jango é mais uma vez derrotada pelos seus parceiros. O revés sofrido pelo Prefeito foi marcado pelo movimento de quatro vereadores que rejeitaram o título de “Cidadão Bragantino” a ser concedido ao maestro João Carlos Martins, apresentado por Beth Chedid, a seu pedido. De acordo com o pronunciamento da vereadora, Jango lhe pediu em público que apresentasse a proposta na Câmara ao final de uma das apresentações do maestro, na Casa de Cultura, em 2009.
Embora trombetas de vitória tenham sido tocadas, a rejeição da homenagem na sessão do Poder Legislativo, na última terça-feira, 16, evidenciou a falta de prestígio ou de força do Prefeito Jango. Ele, que tem a maioria dos votos na Câmara Municipal, não conseguiu reger a sua orquestra e aprovar o decreto legislativo.
Dos quatro votos contrários, é certo que outro segmento da suposta base aliada se faz presente. Tal hipótese é válida, pois a votação secreta não permite comparar o voto com o votante e, mais ainda, não se projeta no raciocínio que um vereador que mantenha a postura de oposição, tenha optado pela rejeição da honraria - está bem claro que não se aponta nenhum vereador nesse ou naquele bloco -, inexiste elemento consistente para tanto.
Esta rejeição poderia ser um fato de pequena grandeza que nem ocuparia espaços nas discussões pela cidade, mas, pelo contrário, se o Prefeito observar com atenção o ato destes quatro vereadores, conduzido por cordões invisíveis, é uma amostra dos setores da Administração que estão comprometidos. A sua bancada de apoio vai agir em segredo e minar seu poder. Eles o mandarão segurar a batuta e puxarão o púlpito ou palanque de debaixo de seus pés.
Desde que assumiu o segundo mandato Jango mantém a maioria esmagadora dos votos dos vereadores. Em contrapartida ele contratou inúmeros servidores para cargos de confiança, tanto para ocupar postos até de secretário, a pedido destes vereadores que queiram ou não, têm um acordo de cavalheiros com ele. Alguns destes pedidos foram tão convincentes que hoje a Prefeitura tem o secretário da pasta de Agronegócios que não é morador de Bragança e cuja indicação foi muito comentada.
Ao contrário do que consta na partitura do coro de trombetas, a vereadora Beth Chedid se fortalece com o episódio, pois prova sua fidelidade e firmeza de compromisso para com o Prefeito. Enquanto os “cavalheiros” desrespeitaram este acordo de parcerias em nome de uma pendenga pessoal e acabaram por causar mais um desastre na vida política de Jango. Mesmo escondidos pelo voto secreto, os eleitores mais atentos e que conhecem os meios políticos locais sabem quem são os vereadores e os empresários que manipularam as opiniões e rejeitaram a proposta.
Depois deste episódio, Jango que tem o hábito de durante os atos que exigem sua rubrica, levantar a caneta como uma batuta e dizer que a decisão está em suas mãos, precisará repensar os acordos futuros e como ele conduzirá seu grupo até o final da sua Administração. Se algo não for feito, as derrotas serão iminentes.
Os acontecimentos que construíram os traidores precisam de avaliação, com a finalidade e preocupação de não ver a máquina administrativa desmantelada com as presenças dos carreiristas da traição.
Existe uma batalha política com diretrizes suspeitas entre grupos do próprio grupo, que se acreditava até então unido em torno de um princípio: governabilidade!
Cabe aqui o verso da conhecida composição de Jorge Aragão: “você pagou com a traição a quem sempre te deu a mão”.
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